aneiro de 1931, regressamos a QUATÁ e fomos residir provisoriamente em casa de meus sogros até conseguir em pregar-me o que naquele tempo era muito difícil, no entanto como tinha grande prática comercial, fui procurado pelo Sr. Manoel Maricato que era proprietário de um empório e hotel, oferecendo-me $200 mil reis mensais e casa para morar. Aceitei imediatamente a oferta e com ele trabalhei até 31 de dezembro de 1931.

Nessa data, um amigo de meu sogro, Joaquim de Oliveira Roça, residente em Sapezal, fazendeiro e meu compadre, veio fazer-me a seguinte oferta, dizendo-me:

-Olha compadre eu tenho um cunhado que está desocupado e quer estabelecer-se com algum "ramo" comercial . Como eu quero ajudá-lo, assim como a você e com $4 contos de reis que é também o capital dele e com o conhecimento comercial que você tem, acredito que juntos poderão progredir. Aceitei e nos instalamos à avenida Rui Barbosa no 509 numa casinha de tábuas. Como eu tinha muita amizade com os viajantes comerciais e conheciam minha habilidade, enviavam sempre mais mercadoria do que a pedida, enchendo o armazém que logo se tornou pequeno.

nossa firma CONDE E FERREIRA, durou porém pouco tempo, mais ou menos 6 meses. A esposa do meu sócio Amadeu, começou a dizer que não se acostumava em Quatá e que queria voltar para Inácio Uchoa, região da Araraquarense, de onde tinham vindo. Ele, Amadeu Ferreira, me propôs que retiraria a parte dele em mercadorias e eu que continuasse só. Aceitei, organizando a firma Agostinho Conde, que continuou desenvolvendo-se bem e que sofreria meses mais tarde os efeitos revolução Constitucionalista, que apesar de grandes atos de heroísmo e mesmo capacidade técnica foi perdida pelos paulistas. O Estado de São Paulo ficou com muitos compromissos para com a UNIÃO, atingindo assim indiretamente à todos nós. GETÚLIO VARGAS que tinha dado aos lavradores de café uma moratória de 10 anos a começar de 1930 e foi essa uma das causas pelo qual QUATÁ não ter se desenvolvido, visto ser quase exclusivamente formada de cafeicultores. Eu continuei regularmente com a casa comercial progredindo. 

Em 21 de dezembro de 1935, nascia a nossa filha NANCY, era um Sábado de movimento comercial no estabelecimento foi tão grande que quase não pude dar assistência alguma à minha esposa que até me censurou e com muita razão. Foi nessa época o ponto alto de minha vida comercial. A minha esposa, quando do nascimento da nossa filha Flávia, tinha sido acometida de uma infecção puerperal, foi acometida novamente talvez pelo mesmo mal, o que me fez ir diversas vezes a São Paulo fazer um tratamento que parecia não ter cura. Isto levou mais de dois anos. Internamento em hospitais como beneficência Portuguesa, Matarazzo e outros mais.

Minhas viagens e falta de administração por minha ausência, embora que sigilosamente , quase me levaram a falência, o que não aconteceu por minha habilidade em conservar meu crédito nos vencimentos certos. Devo dizer ainda que naquele tempo, Quatá não tinha nenhum estabelecimento bancário para financiar alguma quantia e por isso as dificuldades eram maiores. Fui me arrastando até 1939 sempre fazendo bom movimento mas com pouca margem de lucros devido à falta de capital que me obrigava a dispor de mercadoria para solver compromissos em dia. Veio a 2a Guerra Mundial que afetou quase todo o mundo com reflexos muito fortes também no BRASIL. A maior parte de mercadorias tinham de serem pagas na ocasião do pedido e mesmo assim, ainda com uma Quatá adiantada para qual não davam nem documentação. Tudo isso tornava as coisas difíceis e não podíamos mais nos desenvolver e éramos obrigados muitas vezes a lançar mão de outros modos de comércio para atender às necessidades de mais lucros. Fiz-me então intermediário de negócios de café cujos me deram alguns resultados nos primeiros anos.

Em 1942 tinha falecido meu sogro Joaquim Jorge Estevam e em 1944 minha mãe com a idade avançada de 84 anos e logo em seguida meu cunhado Manoel Maria Gil de Oliveira.

Em 1945, terminava a Segunda Guerra Mundial com a vitória das forças aliadas, começando a reconstrução em todos os países destruídos por essa catástrofe e o Brasil que vinha sendo governado desde 1930 por Getúlio Dornelles Vargas em regime de "Estado Novo", como se dizia nesse tempo, transformou-se em democracia, retirando-se Getúlio Vargas para sua fazenda em São Borja no Rio Grande do Sul. Em seguida procedeu-se a eleição para o Senado e Congresso e em seguida para Presidência da República, sendo eleito o General Dutra , que fez um governo de pacificador. 

Em fevereiro de 1947, realizou-se o casamento de nossa filha Eugênia , Jenny, com nosso sobrinho e afilhado José Gil de Oliveira, portanto primos e em 17 de agosto de 1948 nascia nosso primeiro neto, filho do casal que recebeu o nome de José Augusto Conde Gil de Oliveira, conhecido mais tarde em Quatá como "Fuga"

Em março de 1949, devido à falência da firma Correia & Franco Ltda., a qual comprava café por meu intermédio, sendo eu o responsável perante os vendedores, não podendo cumprir com os pagamentos de vultosa quantia e tendo ficado como responsável por esse débito, vi-me obrigado a fechar meu estabelecimento comercial e pedir a meus credores prazos para a liquidação desses compromissos, o que consegui amigavelmente. 

O meu filho Jayme, que cursava o segundo ano Científico em São Paulo, foi obrigado a abandonar os estudos devido à minha situação financeira, isto em 1948, trabalhando na minha casa comercial até o fechamento da mesma. Em 1950, foi ser auxiliar de escritório na firma Anderson Clayton em Paraguaçu Paulista até sua nomeação como inspetor de alunos no Ginásio Estadual de Quatá.

A minha filha Nancy, fazia o curso ginasial no Colégio Santa Maria na cidade de Assis e também teria que cancelar seus estudos, quando compareci na diretoria do Colégio, a Irmã Superiora e diretora do estabelecimento me disse:

- "Se o motivo for financeiro, a Nancy continuará aqui até sua formatura de professora primária, sem ou com pagamento de sua parte. Felizmente as coisas melhoraram e não foi necessário aproveitar o grande favor que me queria prestar, DEUS Nosso Senhor me ajudou e de fato em 1954 a Nancy consegui se formar.

De 1950 a 1953 fiz de tudo, funcionário interino da Prefeitura, agente da Sul América Capitalização, vendedor de utensílios domésticos da Feira do Lar, agente de venda de adubos para a lavoura, corretor de imóveis, etc..

Em 1953 tive uma proposta do Sr. Austricliano Taveira, comerciante em Paraguaçu Paulista, para ocupar o cargo de gerente de seus negócios o que aceitei, porém por pouco tempo pois receberia mais tarde uma proposta melhor da firma S I N O P ( Sociedade Imobiliária Noroeste do Paraná) para ser um de seus agentes na venda de terras de sua propriedade nas nascentes cidades de Terra Rica, Iporã e Ubiratã, hoje cidades de porte médio e todas as sedes de comarca.

Devo deixar assinalado que nesse ano último, completei os pagamentos a meus credores. Em seguida convidei Salvador Gerace para meu sócio, trabalhando juntos aproximadamente por 10 anos.

Em 1951 nascia o segundo neto Luiz Alberto Conde Gil de Oliveira, no dia 28 de janeiro.

Em 30 de maio de 1954, acontecia também o nascimento do terceiro neto que recebeu o nome de Gilson Eduardo Conde Gil de Oliveira, todos filhos de José Gil de Oliveira e Jenny.

Em maio de 1958, realizava-se o casamento da Nancy com Eustáchio Zuardi, residente na cidade de Assis, fixando lá sua residência e só anos depois se transfeririam para São Paulo.Em 25 de abril de 1959, nascia a primeira filha do casal, recebendo o nome de Cássia Conde Zuardi e logo depois em 7 de Outubro de 1961 o segundo filho, Antônio Zuardi Neto. Em 1967, dia 29 de dezembro o terceiro filho, Marcelo Conde Zuardi.

Foi num triste 6 de Dezembro de 1960 que falecia na cidade de São Paulo, vítima de acidente automobilístico, o meu mano Estevam Conde, aos 60 anos de idade, deixando viúva Benta Fernandes Conde e os filhos Agostinho Conde Sobrinho, Dhália Conde e Aracy Conde.

Meu filho Jayme Conde casou-se com Adelaide Santos, residindo por alguns anos na cidade de Quatá, transferindo-se depois para a cidade de São Paulo. Desta união nasceram os filhos: Mabel Cristina Conde em 17 de março de 1964, Jayme conde Filho em 04 de setembro de 1966, Gustavo Conde em 07 de setembro de 1967 e Raquel conde em 23 de maio de 1970.

 

Os 3 filhos portanto, nos deram 10 netos que graças a Deus, todos perfeitos e muito amigos de seus pais e seus avós.

Em 19....., faleceu em Paraguaçú Paulista, o meu mano José Conde, deixando viúva Elvira Lanciani Conde e os filhos: Manoel Conde, Armene Conde, Oswaldo Conde, Leonilda Conde, Iracema Conde, Normando Conde, Iris Conde e Antonio Conde.

Em 19......., falecia meu mano Joaquim Conde deixando viúva de segundas núpcias Isabel Montine Conde, e os filhos do primeiro casamento, Palmira Conde, Aurora Conde, Raul Conde, Antônio Conde, Germana Conde e Flávia Conde. Foi sepultado na cidade de Presidente Wenceslau, onde já se encontravam os restos mortais da primeira esposa Maria Cândida Conde.

Em 17 de dezembro de 1967, falecia minha mana Maria Palmira Conde Gil de Oliveira, já viúva de Manoel Maria Gil de Oliveira e que deixou os seguintes filhos: José Gil de Oliveira, Aníbal Gil de Oliveira, Alberto Gil de Oliveira e Dirce Gil de Oliveira Roncada.

Em 22 de dezembro de 1967, falecia meu mano Antônio Conde, já viúvo de Emília Terçarioli Conde, deixando os seguintes filhos: Ricart Conde, Floripes Conde e Maria Conde. 

Em 13 de setembro de 1977, falecia minha mana Antônia Palmira Conde Miranda, viuva de Manoel Miranda Petronilho, não deixando filhos.

 

Com este falecimento, fiquei restando só eu da "Ninhada" de meus pais, primeira geração, éramos 13 e estamos reduzidos a um.

Por mais que queiramos receber estes golpes com naturalidade, não o conseguimos.

Fica sempre o coração magoado cada vez que um ente querido nos deixa. Eu como irmão mais novo, dei assistência a todos a começar por meus pais e a dor aumenta com a morte dos sobrinhos que já partiram também: Manoel Conde, Palmira Conde, Germana Conde, Raul Conde, Aníbal Gil de Oliveira e Alberto Gil de Oliveira.

Em janeiro deste ano de 1984, portanto com a idade de 77 anos, tive uma intoxicação alimentar, a qual me deixou um grande enfraquecimento e uma depressão nervosa que levou alguns meses para o meu restabelecimento, cheguei a imaginar que também tinha chegado minha hora de dizer adeus a todos.

Deus porém achou por me deixar mais algum tempo por aqui, talvez para confortar e auxiliar a minha esposa que apesar de ser um ano mais velha nos vamos apoiando um ao outro.

Deus nosso Senhor, na sua misericórdia sempre compensa os desgostos com alguns prazeres e é o que está acontecendo, pois os 3 bisnetos lindos e perfeitos, filhos de José Augusto e Luiz Alberto, todos o dias amenizam nossos sofrimentos.