
Histórico da Família
CONDE nas memórias de um de seus filhos.
Daqui para frente a palavra é de Agostinho Conde

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bsolutamente
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...não há pretensões de minha parte, escrever um livro, mas sim deixar aos membros da família, esclarecimentos para que saibam de onde procedem. De há muito que vinha ensaiando estas anotações de minha memória, e, quando me propunha realizá-las, quase sempre me faltava tempo.
Hoje no entanto, não tendo ocupações definidas, creio dispor aos 69 anos de idade, realizar a vontade que há longos anos me acompanha.
Perdoem-me portanto as falhas que forem encontradas assim como algum ou talvez muitos erros de português que infelizmente a minha pouca cultura me obrigará a cometer.
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omecemos...
... pela recordação que tenho do chefe da família, nosso pai.
Manoel Conde, homem austero, respeitador e respeitado, violento mesmo quando se compenetrava que estava com a razão, de mais ação do que palavra, chegava a ser até temido pelas autoridades e poderosos, não poupando este ou aquele quando os apanhava em erros. Quando na sua infância, sendo filho único e possuidor de uma fortuna mais que regular, e, tendo perdido o pai aos 16 anos dito mesmo por ele, não deixou de cometer alguns erros e muitas estroinices. Há um caso acontecido naquela época que muito o enaltece! Precisando comparecer perante as autoridades quando o inventário pela morte de seu pai, moço garboso muito bem trajado e já considerado um moço completo, as mesmas pediram-lhe para que assinasse procuração: qual não foi a surpresa das pessoas presentes e a vergonha dele, quando declarou ser analfabeto! Levou uma repreensão tremenda do JUIZ e ao mesmo tempo, aconselhou-o que ainda era tempo de aprender, visto dispor de recursos para tal fim.
A
pós 3 meses , voltou novamente a SABUGAL, sede da COMARCA, a chamado do JUIZ para novas atribuições e aí outra surpresa estava para acontecer, porem desta vez muito agradável para todos! O Juiz perguntou; senhor Conde, trouxe as pessoas para testemunharem sua assinatura? E meu pai respondeu: devido aos seus conselhos e à vergonha porque passei quando da primeira vez, saiba a. Ex.a. Senhor JUIZ que já sei ler e escrever, o que muito lhe agradeço e ao meu amigo professor que não poupou esforços, dando-me aulas particulares durante estes 03 meses. Pegou a caneta e fez sua assinatura com a bela caligrafia que sempre teve e foi invejada por muitos e mais tarde até por mim.![]()

Outro caso interessante: Aos 18 anos, um de seus amigos ANTÔNIO JOÃO, e que muitos anos depois viria ser meu padrinho, pediu-lhe confidencialmente que fosse à MIUSÉLA, falar com o senhor JOAQUIM PINTO, e pedir para ele ANTÔNIO JOÃO, a mão de sua filha Palmira: cumpriu o pedido do amigo porque o senhor Pinto conhecendo a sua família, atendeu-o gentilmente e ainda desta vez, mais outra surpresa o aguardava; disse-lhe o que mais tarde seria meu avô: " Conde, tenho notado que nas visitas que você nos tem feito junto com seu amigo, minha filha demonstrou muito mais simpatia por você; porque não faz esse pedido para si, se sente sentimentos recíprocos? Dizia meu pai que ficou vermelho e branco ao mesmo tempo sem saber que atitude deveria tomar!...Refletiu e como era pessoa de resoluções rápidas e de fato ele já amava a Palmirinha, sendo por tal sentimento, o acompanhar sempre o amigo Antônio em suas visitas à MIUZELA. Regressou ao PEROFICOZ e cavalheiro como sempre, transmitiu ao Antônio João, as palavras do futuro sogro. Antônio João, perante a verdade dos fatos aceitou esportivamente o ocorrido, dando os parabéns a meu pai, dizendo-lhe porém que nunca mais o incumbiria e nem a outros de missão semelhante. Como ficou dito acima contava Manoel Conde nessa data 18 anos de idade e em PORTUGAL, seria um escândalo casar assim tão cedo. A Palmirinha contava 17 anos e já era órfã de mãe, seu pai desejava que as filhas casassem o mais cedo possível exigindo de meu pai, o prazo máximo de um ano para a efetivação do casamento. Meu pai aceitou imediatamente sua proposta e um ano depois, uniam-se perante DEUS, MANOEL CONDE e PALMIRA MARIA PINTO, ela natural da MIUZELA Município e Comarca de ALMEIDA e ele, do PEROFICOZ, Município e Comarca do SABUGAL - Província da BEIRA ALTA e pertencendo ao Distrito de GUARDA- Portugal .

Guarda - Portugal
Dessa união, nasceram treze filhos dos quais pretendo falar e descrever, conforme for relembrando, as passagens principais de nossas vidas. Os treze filhos: Maria 1a, Antônia 1a , Joaquina, Domingos, Francisco, Antônio, José, Joaquim, Maria 2a, Antônia 2a, Estevam, Germana e Agostinho.